Entrevista por Francisco Ribeiro
Fotografias por Sebastião Santana

Tilt é tudo menos suspeito. Um estilo único, complexo e de teor engenhoso reunidos num único (duplo sentido) EP. O membro do grupo ORTEUM poupou nas palavras, mas dissecou algumas das questões que o H2Tuga apresentou.

H2T – “Karrossel, Karma” é o nome do teu último EP.  Que carrossel é esse, e qual o seu karma?
Tilt – O Karrossel refere-se à própria vida, onde cada um montado no seu veículo de carne, rodopia. Agora o seu Karma… Eu considero bom, quer dizer, eu estive para não lançar o EP e depois dele sair, recebi algumas mensagens que me deixam satisfeito no que toca ao propósito da minha arte.

H2T – O Karma, conforme a crença e a filosofia, adota vários sentidos. Que visão do Karma te “empurrou” para este trabalho?
Tilt – 
Não sigo propriamente nenhuma doutrina, interesso-me por várias e tento ser flexível na abordagem sobre o tema. Mas creio que me identifique mais com a visão Budista da coisa.

H2T – Abordaste a Grécia e a Roma antiga. De que forma vês os ideais dessa época relativamente à sociedade atual?
Tilt – 
Pouca Grécia e muita Roma…

H2T – O trabalho ainda não saiu em formato físico. Teremos a oportunidade de obter o EP em disco?
Tilt – 
Sim! Tenho-me vindo a atrasar na materialização do mesmo, mas espero que ainda em Março esteja disponível.


H2T – Quando é que vais subir ao palco e abrir a porta deste “karrocel” aos teus seguidores?
Tilt – 
Não vou apresentar este EP ao vivo. O mais próximo da apresentação do EP, foi em 2015, um gig que tive no Tokio (Cais Sodré) onde apresentei 2 ou 3 temas do EP. De momento o Muka encontra-se no estrangeiro, e não me faz sentido apresentar o projecto sem a presença dele.

H2T – Apesar deste ser um pequeno disco (com 7 músicas e aproximadamente 30 minutos de duração), seria de alguma forma expectável ver Nero e/ou Mass a colaborar em alguma faixa. Alguma razão para tal não ter acontecido?
Tilt – 
Acho que é normal eles não estarem nesse projecto. Se com eles, fora do rap, não tenho discussões/análises sobre esses temas, não me faz sentido forçar essa questão para o Rap. Conto com eles para outro tipo de projectos em que o ambiente seja o mais natural para todos. Para este tipo de temas, terei sempre como preferência o Muka.

H2T – Que planos têm ORTEUM para futuro, após o sucesso do “Perdidos e Hashados”?
Tilt – 
Temos bastantes planos, alguns já definidos outros ainda por definir. Não quero adiantar muito para já, mas  estamos num processo de criação de um projecto e sabemos que vamos fazer mais, e como os vamos fazer.

H2T – Numa entrevista a Nerve, este, quando questionado sobre participações para o futuro, disse: “começa a ser meio estúpido ainda não ter faixas gravadas, com o Keso ou o Tilt”. Partilhas desta opinião? Quais são os planos para o futuro?
Tilt – 
Eu já conheço o Nerve há algum tempo e desde início que queremos fazer algo juntos. Certamente  vai acontecer, a seu tempo. De momento estou envolvido em alguns projectos (ORTEUM, Colónia Calúnia e os meus trabalhos a solo). Estou prestes a lançar um EP por Colónia Calúnia produzido pelo Pesca e com o L-Ali ao meu lado nas rimas. Terei também algumas novidades com ORTEUM, outro projecto por Colónia Calúnia entre mim e o VULTO. Encontro-me também a escrever, muito lentamente, o meu primeiro álbum a solo.

H2T – Consumindo as tuas palavras: “todos os caminhos levam a Roma e Roma levou-me a isto”. Como te vês, neste momento, dentro do hip-hop português?
Tilt – 
É estranho, mas com 25 anos vejo-me como um velho rabugento. Isto ’tá tudo fodido,  e “estes putos de hoje em dia…”

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Entrevista por Francisco Ribeiro
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