Texto e Fotogaleria: Joana Nogueira

Porto World Battle
6, 7 e 8 de Abril 2018

Aquela altura do ano em que a probabilidade de, no Porto, encontrar um dançarino em cada dez pessoas, voltou. Este fim-de-semana foi fim-de-semana de Porto World Battle, algo que ainda é sinónimo de trazer dos melhores dançarinos do mundo urbano a um espaço (sempre) demasiado pequeno para o talento que eles carregam.

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Este ano, a segunda edição da competição mudou de lugar e “trocou” o MXM Art Center pelos dois pisos do Muxima Bar, em Vila Nova de Gaia. Para o estúdio dos Momentum Crew ficaram reservados os workshops e a tão famosa “fiesta”, uma after-party que passa por uma das dez razões para vir à Porto World Battle (palavra de dançarino!).

O primeiro dia (sexta-feira) é sempre o dia mais “chill”, por isso é dia de “warm-up”, com todas as side battles e cyphers a acontecerem precisamente neste dia. Para além das habituais cyphers de topstyles e de competições de áreas específicas do bboying, como footwork ou toprock, a Porto World Battle “abraçou” duas culturas distantes do conceito do hip hop, mas igualmente urbanas e “de rua”, o krump e o dancehall. Neste dia, os vencedores foram a bgirl San Andrea (Footwork 1vs1), Ruben (Locking Cypher), Dany Boogz (Popping Cypher), Gressive (Krump Cypher), Vanessa & Soulex (Bonnie & Clyde), Vins (Toprock 1vs1), 67 Team (Open Styles 3vs3), Willis (House Cypher), Yao (Hip Hop Cypher) e Pedro (Dancehall Cypher).

A noite terminou na MXM Art Center com uma parceria com o LOOP – Festival de Danças Urbanas, que pretende levar a dança urbana ao palco dos grandes teatros e que apresentou três das peças da primeira edição, realizada o ano passado.

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Sábado foi dia de competição a sério. Mas se há uma coisa que era facto na saudosa Eurobattle e que segue sendo verdade com a Porto World Battle é que não há competição que se sobreponha ao ambiente de amizade e partilha que se vive durante estes três dias.

Vários foram os dançarinos que apostaram tudo para conseguir chegar, pelo menos, às tão esperadas semifinais de domingo, mas, claro, muitos ficaram pelo caminho. Esse número foi muito maior nas quatro áreas de topstyles (Hip Hop 2vs2, Popping 1vs1, Locking 1vs1 e House 1vs1), número suficiente para encher a cave do Muxima Bar e quase que interditar os olhares atentos de quem já chegava fora de horas. Ali os melhores lugares estavam efectivamente na fila da frente, mas esses mesmos lugares estavam “reservados” a quem tinha chegado a horas e não queria abandonar o espaço, com medo de perder o movimento que mais “hype” iria trazer.

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No bboying, a maior ausência nas semifinais seria mesmo a dos Team Shmetta, presença habitual já desde a Eurobattle, que trouxe, desta vez, membros já bem “old school” como Dziri, Admir ou Sambo, que esteve durante estes últimos três anos “parado” devido a uma lesão e que fez o seu grande retorno no palco do Muxima Bar.

A noite foi feita com a grande “fiesta, fiesta, fiesta” (quem já foi a este evento, pelo menos uma vez na vida, vai ler estas três palavras e ouvir a voz do Max na sua cabeça), até porque este ano havia bolo, não fosse o mote a celebração dos 15 anos de crew dos Momentum Crew).

E no meio de todo este ambiente chegou domingo.

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O dia começou com a competição de powermoves, promovida pela MadPowermoves Portugal (projecto de Pedro Jacobetty, dos Momentum Crew), que saiu com Bartetsky The Creator como vencedor.

As semifinais, à semelhança de qualquer semifinal deste calibre, poderiam muito bem ser finais e colocaram Portugal muito bem representado.

No campo do popping, Dygas batalhou EmJay (Bélgica) e Sílvio teve a difícil missão de batalhar Tiboun (Portugal/França). O belga não deu espaço para brincadeiras e selou a passagem para a final contra Sílvio. Já no locking, a nossa única representante foi Juno, que perdeu contra Ruben (França), numa batalha onde espalhou a sua sensualidade. A outra semifinal foi também uma disputa entre sexos. Funky J (França) arrebatou Nico e conquistou de forma unânime os júris. A semifinal de house juntou Serge vs Frankie J (Reino Unido) e Karim Flex (Bélgica) vs Maximus (Ucrânia), em duas batalhas dominadas pela singularidade e detalhe dos movimentos. Wanted Groove (Bélgica) defrontou os portugueses Nelsonic e Comics na primeira semifinal de hip hop. O júri preferiu os belgas, mas a dupla portuguesa encheu de orgulho o coração de quem lá estava – eles tinham tudo para poder estar na final, disso não havia dúvidas. A dupla Maximus & Nastya (Ucrânica) selou também a passagem para a final ao vencer Breeze & The Twelve (Alemanha), numa batalha bastante renhida.

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A competição 2vs2 de bgirling juntou a dupla Vanessa (Portugal) & Maxime (Bélgica) contra Olly & Alicia (Espanha), tendo a dupla portuguesa/belga conquistado público e júris com a mesma facilidade com que quebravam o beat. Do outro lado, San Andrea (França) & B Panther (Espanha) derrotavam Law & Jasu, numa mistura incrivelmente fluída entre técnica e flow.

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A competição de crew contra crew viu Navi Crew (Ucrânia/Rússia), os favoritos desde o início a ganhar esta categoria, a aniquilarem os Conquistadores Crew (Bielorrússia). A crew You Can’t Steal My Flow (Espanha) deu uma boa performance contra FromDownTown (França), com a bgirl Alicia a destacar-se do lado dos espanhóis, mas, do lado francês, a sincronização saía perfeita em cada rotina de grupo e, cada vez que um dos bboys fazia um solo, podíamos sentir a forma como cada batida da música se fazia sentir no corpo deles. Quando aparecem bboys assim, não há nada que o júri possa fazer para além de votar, de forma unânime, neles.

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A Porto World Battle teve também a tradicional Kids Battle que levou Bélgica à final. Anthony e Ma Flex, ambos da crew de mini gigantes Battle Droids batalharam entre si até ao último minuto, mas Anthony levou a melhor.

Por fim, a batalha de bboying 1vs1, que o ano passado deu a vitória ao brasileiro Rato, trouxe uma novidade: o vencedor conseguiria garantir, assim, a presença na Bboy Gala, a acontecer no final deste ano. Admir e Foundkid deram tudo para garantir a vitória e, se à primeira vista, a experiência do belga poderia parecer uma vantagem, o membro dos Zoo Gang não se intimidou e selou a presença no evento que leva os melhores bboys internacionais ao casino de Espinho.

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Como sempre, esta competição acaba com aquele misto de sentimento que puxa à nostalgia e que nos coloca logo a contar os dias para a próxima edição. Se quiserem contar comigo, podem apontar a data: a Porto World Battle vai, para o ano, ocupar o primeiro fim-de-semana de Maio. Já só faltam 389 dias!

Texto e Fotogaleria: Joana Nogueira

Ver galeria completa aqui.

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Lista Completa de Vencedores
Footwork 1vs1: San Andrea
Toprock 1vs1: Vins
Locking Cypher: Ruben
Hip Hop Cyper: Yao
Popping Cypher: Dany Boogz
House Cypher: Willis
Krump Cypher: Gressive
Dancehall Cypher: Pedro
Bonnie & Clyde: Vanessa & Soulex
Open Styles 3vs3: 67 Team
Best Group PWBG: GaliRockers
Locking: Funky J
Popping: EmJay
House: Frankie J
Powermoves 1vs1: Bartetsky The Creator
Kids Bboying 1vs1: Anthony
Bboying 1vs1: Foundkid
Bgirling 2vs2: Vanessa & Maxime
Bboying Crew vs Crew: Navi Crew

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