O tema “Cinzas” marca o regresso do rapper Portuense Roke 714

Música: Cinzas
Prod: Sid White
Voz, Letra: Roke
Fotografia: João Laverco
Rec, Mix, Master, Design: Wrong

LETRA:
“Sou o meu pior amigo, o meu melhor adversário
Encontrei um inimigo onde havia um aliado
Tenho-me encontrado com um destino proibido
Tento tocar sob o céu mas ele nunca tem descido
Faz sentido as tuas notas em silêncio
Escuta também o que eu penso, que eu dispenso ser punido
Tanto que eu te prometi, quanto nunca vou cumprir
Desculpas atrás de lamentos fazem argumentos rir
Mudam sentimentos que deviam resistir
E o vazio que aumentou não tem como se extinguir
Que a morte seja rápida, que a vida nunca suma
Admiro qualquer dádiva, só nunca vi nenhuma
E quem faz um pé-de-meia p’acabar com o pé na porta
Não lhe safa o pé-de-cabra p’a tirar o pé da urna

Vitaminas já não vêm de alimentos
Pensamentos são feridas sem sacramentos
Aprecias quem iludes por momentos
Ou confias em quem desconfia menos?

Não sou vítima de nada, sou culpado por sonhar
que um artista nasce livre quando paga p’a criar
Só faço obras-primas p’a quem gosta do grotesco
Nesta casa de burlesco todos pensam em burlar
Enrolo mágoas em papel semi timbrado
Sei quem caminhou nas águas e quase foi afogado
Quem tentou focar em altas para ficar rebaixado
Quem ousou brincar com facas e o arbítrio foi cortado
Detalhes omitidos…
Pela boca morre o peixe, os meus lábios ‘tão cozidos
Nunca vais ouvir dizer que tenho muitos entes queridos
A maior parte sumiu, a outra não ’tá entre vivos

E se o Sol amanhã não nascer p’ra mim
Diz à minha irmã que ela é tudo p’ra mim
Diz à minha mamã que é tudo p’ra mim
Talvez eu tenha um bom fim se esta vida der p’o torto
Mas se eu tiver de descer, então isto é que era o topo?
Podem queimar o meu corpo…
Espalhem as cinzas pelas ruas do Porto!

«Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite,
Meu Deus, não posso sonhar quando acordo de noite!»

[“Insónia” de Álvaro de Campos, por Ode]”

 

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