Entrevista por Guilherme “Mariachi” Oliveira

L-Ali, por esta altura, já é um dos nomes de grande peso do hip hop português. Uma sonoridade e um estilo completamente distinto do que se pode chamar de “normal” que o torna numa das personalidades mais únicas e que dá mais azo à discussão, actualmente. O rapper trocou algumas palavras com a H2TUGA, numa entrevista tardia, em que o cansaço já pesava.

H2T- Vou começar com talvez um dos temas mais “comuns”. A tua “imagem de marca” é máscara e ao longo do tempo foste habituando o público a ver-te com ela. Qual a história por detrás da máscara e o porquê de nas tuas últimas aparições já não a usares?
L-ALI- Porque não queria que olhassem para o que estava a fazer como algo ortodoxo e reparei que ninguém estava com máscara. Encontrei a máscara nas Caldas [da Rainha], juntamente com umas quantas numa casa em que estava a viver. Achei que fazia sentido trazer algo “semibizarro”. Mas não gosto que as pessoas se habituem e habituaram-se a máscara. Eu também. Mas quis tirar o tapete ao espectador… já o tinha feito em Colónia Calúnia.
Quem sabe se não o tire outra vez…

H2T– A máscara, apesar de continuar um ícone teu e embora já não esteja tão presente, foi influenciada por alguma coisa ou por alguém?
L-ALI– Não foi determinante mas talvez. Sou fã de MF DOOM, que é a comparação mais óbvia. mas foi mesmo por querer impacto live e nos clips, também procurei o anonimato durante uns tempos e queria algo que, de alguma maneira, afastasse o “eu” pessoa do eu “artista”.
Mas não, não usei tranças pelo Post Malone nem sou o Bones ahah

H2T– Não é segredo para ninguém que és uma das pessoas que mais se “destacam” pela diferença, no hip hop português. Na tua visão, o que é que achas que te difere “dos restantes”, seja ao vivo, nas tuas faixas, etc.?
L-ALI– Não sei. Acho que tenho uma sonoridade própria em todos os meus projectos. Tudo o que fiz com o VULTO. é único em termos de sonoridade e conteúdo. O trabalho fala por si. Não me considero o “rapper comum”. Desde os beats, à forma como escrevo, acho que trouxe algo novo. Os álbuns e os EPs que lancei têm tudo menos uma abordagem comum ao Rap. Desde as colaborações com o Pesca, Razat ou até mesmo a mais recente com o Benji.

H2T– Já que falaste no VULTO., sendo um produtor com uma “marca” muito distinta, consideras que seja um dos produtores que te dê mais prazer em colaborar? Até porque talvez seja também quem o tenha feito mais vezes.
L-ALI– Sim, nunca sei o que esperar quando vou ouvir o que sai dali. Tenho sempre oportunidade de me explorar mais, dado que ele vai buscar cadências que não são tão frequentes. Reinvento-me sempre um pouco mais quando vou trabalhar com ele.

#3

H2T– Desde a criação dos Colónia Calúnia, já foram lançados vários projectos, ao longo destes últimos tempos. Há algum conceito que estipularam por detrás do conjunto ou existe algum objectivo intrínseco do grupo?
L-ALI– Existe um objectivo: unificar e dar força a um nome na “cultura”. Remarmos todos para o mesmo lado. Esta sonoridade é nossa, é Colónia Calúnia. E tanto pode ter um rapper, como dois, três ou até mesmo ser só de instrumentais. Estão mais álbuns a ser feitos neste colectivo, inclusive um álbum de um rapper que não revelaremos já, mas já faltou mais (e não, para já não é o meu).

H2T– És o mais recente membro da Think Music. Achas que a label e os membros dela têm também potencial para deixar uma marca significante no hip hop português, tanto a nível pessoal como colectivo?
L-ALI– Sim, acho que tanto a nível pessoal como a nível musical, têm tudo para o conseguir… a label tem meio ano, são os primeiros passos, é tudo sangue novo a divertir-se, mas com sede de vingar. Só depende de cada um de nós. O balanço deste meio ano, acho que é bem positivo. SOBE EQUIPA!!

H2T– Falemos então da tua mais recente faixa, “Baba“. Foi a primeira faixa que lançaste a solo com o carimbo da Think Music e, tal como disseste anteriormente, a primeira vez que rimaste num beat teu. Qual a “história” ou, se quiseres, a “mensagem subliminar” (se é que há alguma) por detrás do som?
L-ALI– Prefiro deixar que as pessoas interpretem à sua maneira.

H2T– Para finalizar, há alguma coisa que aches que devas acrescentar? Prognósticos para o futuro, etc.?
L-ALI- Para já espero a malta no MEO Sudoeste para arruaçar. Irei “droppar” mais umas malhas entretanto, mas não quero adiantar para já.

#2

Entrevista por Guilherme “Mariachi” Oliveira

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