Já lá iam três anos desde a última vez que N.E.R.D. partilharam um palco na Camp Flog Gnaw Carnival dos Odd Future, deixando o próprio Tyler The Creator – fã assumido do grupo – num “momento emocional”. A intervenção de Chad Hugo e Shay Haley no set musical de Pharrell não deixou ninguém indiferente ao marcar uma inesperada “reunião” do grupo, que após o emocionante concerto se retirou da estrada durante umas boas três primaveras. Contudo, quando se pensou que a mistura híbrida de rock, soul, funk e hip hop de N.E.R.D. poderia ter mesmo chegado ao fim, o futuro revelou-se mais brilhante: parece que os rapazes estão de volta.

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O trio Pharrell Williams, Chad Hugo e Shay Haley fez um portentoso retorno no primeiro dia da ComplexCon, convenção/festival curada pela plataforma de música, estilo, desporto e cultura pop Complex – desde sempre estreitamente conectada à cultura hip hop, ao design gráfico e a uma grande diversidade de áreas artísticas. Numa reaparição nada tímida, o grupo surpreendeu os fãs ao lançar na íntegra, ali mesmo – ao vivo – o seu álbum No_One Ever Really Dies.

Em 2015, Pharrell tinha já dado o sinal de que estava a ser “cozinhada” música nova e a edição de 2017 da convenção (na qual é director cultural) foi o evento escolhido para apresentar o fruto desse trabalho. No_One Ever Really Dies é o álbum “quase homónimo” (chamemos-lhe assim) da banda, com um título sugestivo contido no acrónimo N.E.R.D. que traduz um renascer do grupo que surge agora de energias renovadas e pronto para causar impacto.

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Num concerto inédito, percorreram todo o alinhamento do álbum em exclusivo para aqueles que estiveram presentes na ComplexCon. No_One Ever Really Dies é constituído por 11 faixas, entre as quais se contam algumas colaborações de peso.

Alinhamento
1. Deep Down Body Thirst
2. Lemon featuring Rihanna
3. Voilà featuring Gucci Mane and Wale
4. 1000 featuring Future
5. Don’t Don’t Do It featuring Kendrick Lamar
6. Kites featuring Kendrick Lamar and M.I.A.
7. ESP
8. Lightning Fire Magic Prayer
9. Rollinem 7’s featuring André 3000
10. Lifting You featuring Ed Sheeran
11. Secret Life of Tigers

Imediatamente nos saltam à vista nomes como o de Future – que recentemente pisou o palco principal do festival Super Bock Super Rock em terras lusas, encabeçando o cartaz do dia 14 de Julho, em que o hip hop teve a batida mais alta. A faixa tem por título 1000 e junta pela primeira vez N.E.R.D. a uma das figuras mais sonantes da variante trap dos últimos tempos.

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Outra presença verdadeiramente explosiva neste álbum é a de André 3000, que quase dispensa apresentações. O eterno “Andre from Outkast” é o autor de hits intemporais como Hey Ya! e Ms. Jackson, mas é consideravelmente multifacetado noutras áreas também: assinou o desenho animado Class of 3000 para o Cartoon Network, interpretou aquele que muitos consideram o melhor guitarrista de todos os tempos – Jimi Hendrix – no filme All Is by My Side e foi ainda eleito “Celebridade Vegetariana Mais Sexy” pela organização PETA, ao lado da actriz Alicia Silverstone. Em No_One Ever Really Dies, junta-se aos N.E.R.D. na faixa Rollinem 7’s.

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Em Voilá temos uma colaboração simultânea com Gucci Mane e Wale. O rapper que ajudou a lançar e a difundir o subgénero da música trap – e que hoje é dos que têm mais bagagem dentro desse campo – alinhar-se-á (não obstante que isto é não mais que especulação) com os elementos go-go próprios da música de Wale, em convergência com o funk e a batida vibrante próprios da sonoridade de N.E.R.D.

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No entanto, o amplo leque de colaborações do mais recente trabalho de N.E.R.D. não pára pelo universo do hip hop, rap e trap. Entre os convidados de No_One Ever Really Dies encontramos Ed Sheeran, um artista absolutamente sui generis, que prima pela sua energia simultaneamente suave e carismática, melodias sublimes e voz envolvente, características que o fizeram adquirir uma enorme popularidade no universo pop. Com o grupo, traz-nos Lifting You, uma das músicas que desperta maior curiosidade em torno do álbum.

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Num trabalho de estúdio que, a manter as características a que já nos habituámos em N.E.R.D., promete muito groove e energia, não poderia faltar uma presença feminina tão irreverente e distinta como a de M.I.A. A rapper, compositora, produtora e activista – cidadã da Grã-Bretanha, originária do Sri Lanka e pertencente ao mundo todo – conhecida por combinar na sua música elementos da música alternativa, electrónica, dance music, hip hop e world music, participa no álbum com a faixa Kites…onde partilha o estúdio com Kendrick Lamar.

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Sim…Kendrick Lamar. Considerado o artista do ano por vários anos consecutivos e o melhor rapper da actualidade pela abundante maioria dos apreciadores de música (e mostrando-se, em cada fruto do seu trabalho, devidamente merecedor desse título), Lamar colabora com o trio N.E.R.D. não em uma, mas em duas músicas para o álbum: uma delas, a já mencionada Kites, ao lado de M.I.A.; a outra, uma faixa que tem como título Don’t Don’t Do It e que levou a plateia da ComplexCon ao rubro logo no primeiro dia.

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O grupo tinha já dado um “cheirinho” do que se avizinhava ao lançar o single Lemon, uma colaboração com a sempre icónica, arrojada, petulante, “kinda classy kinda hood” Rihanna. Ao que tudo indica, a colaboração com a cantora estará também incluída no alinhamento do álbum e foi impossível ficar-lhe indiferente.

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Lemon chamou a atenção não só pela participação de Rihanna, pela batida magnetizante e excelente produção musical, mas por algo mais: nomeadamente Mette Towley, a dançarina e musa de Pharrell que deixou que Rihanna lhe rapasse a cabeça.

No videoclip, que até à data tem recebido incontáveis elogios, Mette executa brilhantemente uma coreografia com a assinatura de JaQuel Knight, a mente por trás da emblemática dança de Single Ladies, de Beyoncé.

Não só ouvimos Rihanna a “rappar” no background, juntamente com Pharrell, como a vemos literalmente a rapar o cabelo encaracolado de Mette Towley, numa gravação que foi feita só num take, porque afinal…só havia uma cabeça para rapar.

Towley, já com o cabelo rapado, afirma que adorou o resultado e que foi libertador trazer à vida aquela ideia, como artista e como dançarina. A forma como o cabelo rapado – algo que até á data sempre lhe teve associada uma conotação masculina – contrasta com as formas femininas e esculturais de Towley realmente anula o estereotipo da separação entre o que é tipicamente feminino e tipicamente masculino, mostrando uma mulher que dança em toda a sua força e fúria feminina num gesto de plena libertação, independentemente da maneira como se apresenta.

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O álbum está anunciado para dia 15 de Dezembro.

 

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