Manifesto Pró-Cultura Hip-Hop 2018

Apelo colectivo aos artistas e intervenientes desta Cultura

 

O Hip-Hop em Portugal conta com uma já longa história e mui digna de registo, repleta de feitos, conquistas e tantos talentos\intervenientes que orgulhosamente podemos afirmar que ao longo dos anos nos foram alcançando e educando, muitas das vezes nos formatos mais simplistas que podíamos imaginar.

Fazemos aqui nossas as palavras de Reflect pois de facto “somos uns privilegiados” quando “a geração de pessoas que ousou um dia fazer Hip-Hop na nossa língua ainda é viva e mais do que viva, é relevante.” Talvez por vezes isto passe esquecido entre o respeito e o reconhecimento, mas esta é uma realidade a quatro vertentes, uma certeza e um exemplo histórico de quem viveu este Movimento em coligações que hoje não imaginamos, mas que durante décadas transpareceu e impulsionou continuidade – “Incentivando putos como mandam as leis” [DLM].

Não esquecemos aqui contudo aqueles que já partiram (pioneiros ou não); sorrisos e talentos que tantas vezes estiveram literalmente ao nosso lado; Mais ou menos marcados, ficaram os seus registos únicos.

Estamos já no fim de 2017 e cada vez mais surgem projectos novos e com maior alcance global nas diversas vertentes artísticas integrantes nesta Cultura Hip-Hop. Muito se diz que dificilmente o Rap atingirá vôos mais altos e talvez de certa forma se possa aqui equipar também as atenções centradas na street-art.

Mas, que sinais vitais são estes no que toca à Cultura Hip-Hop?

Evolução dos tempos com mais tecnologia, o experimentalismo, a individualidade, MCs conseguem criar um projeto todo sozinho (por vezes em menos de uma semana), lançá-lo divulgá-lo e depois é uma questão de visualizações e likes. O graffiti que antes arriscava a sua exposição máxima nas paredes e transportes, hoje viaja de uma forma mais confortável, vasta e imediata nas redes sociais. Extinguiram-se as rodas de improviso (breakdance ou até de MCs) que antes eram quase expectáveis e espontâneas em qualquer evento de uma vertente de Hip-Hop. Reduziram-se as crews, as conexões fortes e numerosas que transportavam o exemplo de identidade firme (…) E, tudo isto, sobre argumentos naturais, convincentes e até legítimos; Contudo, ficam as mágoas: Que mensagem está agora a ser transmitida aos mais novos? Qual a responsabilidade cívica e social que pode existir quando se usa uma cultura a pensar no próprio umbigo?

Nem tudo é tépido e alegra-nos ver os vários raiares de luz que vão surgindo ou insistindo num Movimento em estado de alerta, quase em contra-corrente, a tentar canalizar em valores o que de bom (e ainda é muita coisa) estas ‘atenções’ trouxeram à Cultura. A verdade é que a simplicidade da “regra número um” [STK] ainda é das coisas mais importantes e quando ela existe transparece num trabalho e em resultados que não se medem em números.

Para 2018 os nossos votos são Pró-Cultura Hip-Hop, em desejos que gostaríamos ver realizados, redobrados e expandidos. Queremos ver ressurgir a pureza do espírito de apreciação que cria laços entre as pessoas e as vertentes; que a paixão tenha o seu espaço e reconhecimento em projectos transversais, planeados e conscientes; que o convívio seja fonte de saber, educação e partilha entre todos; E, que o altruísmo supere egos e lance desafios entre vertentes e projectos… Não esqueçam nem façam separação entre vertentes, pelo contrário procurem interligá-las por convites simples ou ideias originais.

A ti, direccionamos o nosso apelo para que 2018 seja o ano Pró-Cultura Hip-Hop.

Sejas tu artista, apreciador, organizador de eventos, jornalista, responsável de sites, vlogs, outras plataformas de comunicação e/ou projectos de alguma forma relacionados à Cultura…
Todos somos público e este é talvez o interveniente de maior escala quando falamos da comunidade Hip-Hop.

No que fazem, no que ouvem e no que dizem – Sejam pensantes! Todos temos responsabilidade naquilo que vemos, ouvimos, damos atenção e/ou partilhamos.

“Capta a Mensagem! Tu fazes parte dela!” [Kilu & JCap]

Da nossa parte, pretendemos fazer destes desejos um foco e uma realidade a por em prática em 2018, mantendo – aqui – porta aberta e o convite à colaboração a quem se identificar com esta postura e missão.  

A Cultura Hip-Hop cresce com os seus intervenientes!

Votos de Boas Festas a todos com estes desejos em Manifesto!
A Equipa H2Tuga

 


 2017 está de saída e queremos dar voz à tua opinião! <

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