Novo tema de João Tamura com a participação de Miguel Ropio.

Escrito por João Tamura. Interpretado por João Tamura e Miguel Ropio
Produzido por Khail, Miguel Ropio e João Tamura
Mix & master: Haze
Fotografia e artwork: João Tamura

letra:

luz crua que ilumina a carne fraca aos teus pés.
os gestos são tão lânguidos, o quão discreta és?
passos no tabique do meu quarto que se move…
quão belos são os teus recortes?
aqui sobre uma ilha, e nós de ruas tão periféricas,
tão de cenas bélicas.
a vida que passa por nós – não a quero.
no meio disto tudo tão sós – é veneno.
mãos que pousas sobre um oceano inteiro mas pequeno
e tu desapontada pois cada vez escrevo menos.
e o inferno é interno à pele,
o escuro mascara a pobreza e o fel.
quantas noites tem um deus? tuas mãos que são de ferro mas com jeito de marfim,
que incendeiam o cetim, roubam as luas do céu, levam tudo o que é de mim…

não vou esperar pelo mar,
mas espero que ele não se atrase.
não vou esperar pelo mar,
mas espero que ele não se atrase.
não vou esperar pelo mar,
mas espero que ele leve o meu par.
até ela cantar, são 100 pés a dançar,
no escuro incendeias o mar.

há monstros em nós, homens sem voz,
corpos tão cheios de pó.
flores sem nome com as quais tu te deitas,
os dedos agarram-se às mãos que os aceitam.
o nosso amor é diferente dos outros,
tem mais cores, mais barulho, menos rostos.
motivos japoneses que decoram o corredor,
onde deitas os segredos… em que boca tu pousas batom?
pontes sobre o Drina. mostra-me esses bairros que tu crias,
afoga-me no Tamisa, deixa-me à deriva.
nua como dantes mas sobra-te corpo,
nas ruas de Nantes onde não existe dor.
e não há espaço para o faço neste mundo de ferro,
a cada noite icendeiam algo belo…

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