Era um sábado frio e com alguns chuviscos que pediam para se ficar em casa, numa típica cena de Hollywood em que a personagem está no conforto de casa com manta e lareira. Mas era um sábado no Porto, o sábado que ia marcar o Porto. Era a noite em que Slow J retornava ao Hard Club para completar o duo de concertos que dificilmente serão esquecidos.

Depois da primeira data esgotar num flash (em apenas uma semana todos os bilhetes foram vendidos), o rapper de Setúbal decidiu proporcionar outra data em que “a música aquecesse os pés”. Não demorou muito a que esta data também esgotasse porque quando o Porto gosta, o Porto gosta a sério.

Ainda não eram 22 horas, mas a sala 1 do Hard Club já estava repleta de fãs ansiosos que não quiseram perder a oportunidade de ficar nas filas mais próximas do palco.

À semelhança do dia anterior (sexta-feira), Lhast abriu as hostes com cerca de hora e meia de temas que marcaram 2017, muitos deles produzidos pelo próprio. Do hip hop português ao americano, passando pelo dancehall ou pelo trap, Lhast puxou pela energia do público, que ia respondendo com mais ou menos entusiasmo, visivelmente ansioso pela chegada da jovem promessa (mais que confirmada) do rap português.

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Já passava da meia-noite quando se ouviram os primeiros acordes de “Arte”. Slow J caminhou na total escuridão até chegar a meio do palco, altura em que o público gritou com maior entusiasmo – afinal Slow J estava em “Casa”. Entre sorrisos, olhares de “não acredito nisto” ou mesmo soltando vários “Foda-se, Porto”, João Batista Coelho fez do Hard Club a sua “Casa” pela segunda noite consecutiva.

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O público não deixou margem para erro – o Porto estava de corpo e alma. A letra das músicas, essa, era de sincronização irrepreensível. Não havia uma palavra que ficasse ao acaso. Na verdade, se Slow J quisesse sentar-se e apenas apreciar o público que encheu o Hard Club para o ver, bem que podia fazê-lo.

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Com “Às Vezes” chegou o primeiro convidado. Nerve entre leve e pronto para pedir às pessoas o seu máximo. Elas deram tudo o que tinham.

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Um fundo azul foi o mote para toda a gente perceber que o próximo convidado era Richie Campbell. Do som reggae ao dropar do beat, este público insistia em não desiludir. O final da música trouxe abraços e uma cara de felicidade que teimava em não abandonar Slow J. O rapper aproveitou para agradecer a oportunidade de trabalhar com pessoas como o Richie Campbell ou o Lhast, algo que fez com que o produtor-maravilha subisse ao palco para mais alguns abraços.

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Abraços que se repetiram com a presença de Gson (Wet Bed Gang) e Pappilon (Grognation) para o tema “Pagar As Contas”. Os dois convidados tomaram de assalto o Hard Club e uma onda de energia propagou-se, renovando até a energia dos mais cansados.

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“Porto, Porto”, gritava o público. “Porto, Porto”, gritava Slow J.

Era a noite perfeita onde até Speedy (o protagonista do vídeo de “Arte”) marcou presença.

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A simbiose entre o artista e a plateia não poderia ter sido melhor. Por isso, quando o concerto terminou com Mun’Dança, o público não achou justo.

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De tanto gritar por Slow J, o rapper sadino acabou por regressar ao palco para (re)encantar com “Cristalina” e para homenagear Rui Veloso, “o pai desta merda toda”, com a sua versão de “Não Me Mintas”.

“Era Hard Club todos os dias, não era?”, perguntou durante o concerto Slow J a Francis Dale e a Fred. E se o rapper o disse em tom de brincadeira, o Porto levaria o desafio a sério – porque quando o Porto gosta, o Porto gosta a sério.

Texto: Joana Nogueira

Fotogalerias de Joana Nogueira e de Pedro Ribeiro

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