“Uma tarde para os livros de história”. Foi assim que a bgirl Rock Li, das Loud Crowd, definiu a tarde do aniversário dos Zoo Gang, no passado sábado, no Parque Central da Maia.

Mas o dia começou bem antes das 15 horas.


Quando cheguei, a faltar pouco tempo para as 11 horas da manhã, já writers e bboys estavam no local, a ajudar na criação da tal tarde que ficou “para os livros de história”. As battles só iriam começar de tarde, por isso quem lá estava ou ia criar obras de arte nas paredes ou ajudar a preparar o local para as batalhas.

Era o caso de Mucha, Maiur ou Samuel, todos membros da Natural Skills Crew. Contam-me que não vão ficar para as batalhas porque têm de regressar a Lisboa. Não têm muita pena. A viagem para o Porto foi feita no dia anterior, para festejarem o 14º aniversário da crew da Maia noite dentro. E agora… agora estão só para ajudar. É uma questão de mostrar o respeito que sentem.

É fácil de perceber o porquê. Como Sak disse, avançando muitas horas para a frente, quase no final do dia, o evento foi “como uma reunião familiar”. Não havia ninguém que não os conhecesse, não havia ninguém que não os respeitasse.


A manhã foi calma e mais dedicada aos aficionados da arte do graffiti. Oker, Mesk, Ekyone, ABC Crew, Moina & Rino e Push foram os protagonistas que trabalharam intensamente durante todo o dia, mesmo durante as batalhas. Cada traço novo era feito com a alegria de estar a construir um dos novos pontos de arte urbana com qualidade no distrito do Porto.

Entre pizzas e Super Bocks a tarde foi entrando e as pessoas também foram chegando. A jam a sério já podia começar.

Ivo (Momentum Crew), Aiam e Lil Hill (os dois de Gaiolin Roots) foram os júris escolhidos para as batalhas de break e, enquanto as battles não começavam, eles (e todos os outros bboys e bgirls) fizeram aquilo que melhor sabem fazer: partilhar.

Numa cypher que teimava em não acabar não havia hierarquias nem olhares ameaçadores, apenas o sentimento que, para quem costuma ir a battles (pelo menos no Norte), julgava estar adormecido, o de estar apenas para “sentir”, não para “mostrar”. Mas a hora de “mostrar” também chegou a este evento. Com o dj Spot nos pratos (Score, dos Gatos do Beko juntou-se mais tarde), a batalha fez-se no formato de 7 to Smoke e teve Douglas como grande vencedor.


O momento inesperado (e nada anunciado) do dia veio logo a seguir. As hostes para o open mic foram abertas pelo Magik (Momentum Crew), anfitrião do dia, com um beatbox que fez soltar gargalhadas aos presentes. Depois, sem grandes cerimónias, João Pequeno toma o microfone de assalto, para interpretar alguns temas.

O rapper da nova escola lembrou o apreço que tem pelos Zoo Gang e o facto de dois deles (FoundKid e Lil’Devil) participaram no videoclip do tema “Tu Já Sabias”, música que iniciou a sua breve actuação.

E a festa continuou, arrastando-se pela noite, sem pressa de acabar, até chegar o bolo surpresa que deu a noite como terminada. E nada podia encerrar melhor a noite que um bolo, símbolo base de qualquer celebração. Sábado não foi o dia de uma battle ou um dia para pintar paredes, sábado foi a celebração da cultura hip hop, a mostra de que ela está bem de saúde e que, acima de tudo, quer união e partilha.

Não lhes perguntei, mas aposto que qualquer membro dos Zoo Gang saiu daquela noite com o sentimento de trabalho bem feito. Se o objectivo era reavivar as já postas de lado jams, conseguiram-no de tal forma que agora só nos resta esperar pela festa dos 15 anos.




Crónica por Joana Nogueira Santos

Fotografias por Zoo Gang/Flying Tempo

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