A Esposende Street Battle já vai na oitava edição, mas alguns dançarinos não têm isso presente na memória. É mais ou menos como aquele encontro de turma que só quando pensamos em que ano lectivo nos deixamos de ver é que nos lembramos há quanto tempo fazemos o encontro.

A Esposende Street Battle passou a ser esse encontro numa altura em que competições coreográficas abundam, mas battles que recordem a essência da dança urbana escasseiam. Mas não é por haverem poucas battles que o número de participantes aumenta. Na realidade, de ano para ano ele diminui. As pessoas agora dedicam-se muito às coreografias, é o que comentam alguns participantes. Prova disso é que, ao início da tarde, com a battle prestes a começar, apenas uma crew de All Styles estava inscrita.

Ainda assim, é como sempre me disseram, ‘só faz falta quem cá está’. Durante mais de quatro horas, Esposende (ou melhor dizendo, a zona ribeirinha de Esposende) foi palco de pura animação, boas vibes e muita, mas muita qualidade na dança.

Fausto Belluci, residente experiente na qualidade de host, não deixou o público insatisfeito. Para além da habitual garra, que mostra assim que agarra o microfone, e das piadas frequentes, Fausto quis surpreender. E como é que se faz isso quando já se é o anfitrião habitual? Ora, faz-se um mix de dança com todos os estilos que se possam imaginar. Começando no locking, passando pelo break, pelo dancehall e, claro, não esquecendo a “dança do guna”, Fausto mostrou que é mesmo um dançarino versátil. Ah! Também revelou alguns dotes no domínio de várias línguas ao falar com drones que tentam fugir de gaivotas furiosas.

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Os dançarinos, esses, são maioritariamente portugueses, com aquele toque galego – porque se há coisa que “nuestros hermanos” adoram é vir a Portugal. Come-se bem, dança-se bem e somos simpáticos. E no final, se forem como o Dani Boogz, acabam vencedores na categoria de popping pelo terceiro ano consecutivo. Melhor? É difícil!

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Mas não são só os que ganham, ou os estrangeiros, que mostram provas de qualidade e consistência. Guilherme Pereira, que nas battles é conhecido nas battles de popping apenas por Gui, tem 18 anos, mas já faz frente a grandes poppers. Mafa e Pedro Roriz juntaram-se a ele para a crew de All Styles e com bastante menos anos de idade e experiência que Grazy, bboy dos Fusion Rockers, Dani Boogz ou Edgar “Konsept”, mostraram que são capazes de impôr respeito – porque se no rap há uma “nova escola”, na dança também tem que haver.

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Em bboying não houve grande surpresa quando o bboy FoundKid foi dado como vencedor. Como já nos habituou, a mistura de uma fluidez de movimentos com um flow por muitos invejado faz que com o bboy dos ZooGang seja mais que um bboy, sendo uma das referências quando se fala do break lusitano.

A final foi defrontada contra o bboy Pedro, dos Momentum Crew, conhecido pelos seus powermoves. Powermoves que lhe garantiram um lugar na final, mas que fizeram com que a semi-final, contra a bgirl Stereo (a única bgirl presente), fosse acesa.

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Acesa foi também a final de Hip Hop. Nelson e Edgar “Konsept” batalharam frente a Duarte e Vítor Fontes numa battle equilibrada na sua força e complexidade de movimentos. Se no início era apenas uma entrada cada um, passou para uma entrada extra que acabou por ser duplicada. Os quatro deram um espectáculo e, embora se sentisse o clima de batalha, o público gostou (e não foi pouco!). Quem não gosta de um bom espectáculo, ainda por cima de graça?

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A Esposende Street Battle consegue, todos os anos, juntar a população local e dançarinos e isso é mais do que motivo para dizer que é uma iniciativa rica na sua qualidade. Mas quando até um cão quer dar o seu pé de dança, aí já podemos dizer que passou para outro nível.

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Texto, Fotografias e Vídeo por Joana Nogueira Santos

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