O H2Tuga teve a oportunidade de estar à conversa com Mano Burraz, um dos rappers em ascensão no rap em crioulo. Naquela que foi a sua primeira entrevista desde que começou a cantar, Burraz, que nos recebeu na Apelação, onde mora, falou-nos um pouco do seu trajeto e daquilo que o motiva na hora de produzir as suas faixas. Uma entrevista a um dos nomes mais entusiasmantes do rap crioulo em Portugal.

Como começou a tua paixão pelo rap e quando começaste a cantar?

Foi quando estava detido no Colégio da Guarda, entre 2009 e 2012. Ouvia os outros a cantar mas eles também me davam moral, e eu próprio tinha flow, por isso… tentei a minha sorte.

Quais as tuas influências no mundo do rap, quais os rappers que mais ouves e como isso influencia a tua música?

Digradado Pi, MM, Zezzas… essencialmente os rapazes da zona. Também gosto muito de Chullage, ele canta muito bem e tem uma grande mensagem.

Para quem não te conhece, como descreverias o teu rap?

O meu rap trata factos reais, mensagem após mensagem. Ficção não é para nós. Quando era mais novo falava muito sobre drogas e essas coisas, agora o meu rap vale mais pela mensagem, considero-o mesmo mensageiro.

Costumas dar concertos?

Sim, principalmente na Margem Sul. Quinta da Princesa, Monte da Caparica, Bobadela, Talaíde, entre outros.

Achas que a tua música e mensagem têm o impacto que pretendes nas pessoas? Como?

Não gostei do impacto que a minha música teve quando comecei, porque cantava muito sobre drogas e raves, e isso não era bom. Agora que ganhei cabeça, já tenho um emprego… as pessoas veem me na rua e dizem: “Mano Burraz, gostei muito do teu som, tem grande mensagem”. É diferente.

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Costumas lançar videoclips para algumas das tuas faixas. Achas que isso é importante para te dar mais visibilidade?

Óbvio, até para não me tornar num MC ou mensageiro misterioso. Às vezes há que dar a cara.

O que achas que te distingue dos outros rappers?

Mais uma vez, o facto de cantar factos reais. Eu expresso aquilo que estou a ver e sentir no momento e faço-o com vontade.

Desde que começaste a cantar, como achas que evoluíste enquanto rapper?

Acho que evoluí ao nível das mensagens que transmito que, com o tempo, começam a surgir com mais facilidade.

Como avalias o estado atual do rap em Portugal, e em específico do rap crioulo?

O rap crioulo evoluiu muito, tal como o tuga. Mas é óbvio que o rap crioulo não tem o devido reconhecimento em Portugal.

Então o que falta para que o rap crioulo comece a ganhar outra importância?

É preciso que haja menos pessoas a desprezá-lo e mais a apoiá-lo.

Explica-nos qual a importância da Stress Faixaz na produção e lançamento das tuas músicas e quais são os seus outros membros.

A Stress Faixaz é uma escola de rap em que a produção está a cargo do MM. Nós tentamos mostrar aquilo que temos e que sabemos que os outros não têm. A realidade deste sítio somos nós que a vivemos e a podemos contar. Cada bairro é diferente e tem as suas histórias.

Entrevista por Gonçalo Santos

Fotografia por Gonçalo Santos e Leandro Rosa

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